Estranhamente, contra a PF e a PGR, Zanin manda soltar lobista, pivô do escândalo de venda de sentenças no STJ
A cúpula do Judiciário mais uma vez mostra sua face e um empresário preso por corrupção é sol…
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, revogou a prisão preventiva de Andreson de Oliveira Gonçalves. Ele é peça-chave em um esquema de venda de decisões no Superior Tribunal de Justiça. A decisão contraria a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.
Andreson era o elo central entre clientes e assessores de ministros. Ele coordenava as negociações e a robusta estrutura de lavagem de dinheiro. A PF o indiciou por papel preponderante no esquema.
A Trama da Corrupção
O caso veio à tona após o assassinato do advogado Roberto Zampieri, em Cuiabá, Mato Grosso. Seu celular revelou a venda de sentenças, envolvendo ex-servidores de gabinetes no STJ, incluindo de Og Fernandes, Isabel Gallotti e Nancy Andrighi. Os ministros não são alvos.
Zanin acolheu a defesa, alegando excesso de prazo na investigação e risco à saúde do lobista. Medidas cautelares foram impostas, como tornozeleira. Mas a celeridade para a soltura de um réu tão central gera questionamentos sobre a justiça.
O Peso da Justiça
Andreson usará tornozeleira eletrônica. Proibido de sair do país e contatar investigados, exceto a esposa Mirian Gonçalves. Acesso ao STJ e sistemas processuais também foi vetado. As medidas visam garantir a continuidade da investigação.
As investigações da Polícia Federal seguem em sigilo e são prorrogadas sucessivamente. A soltura de um personagem tão central, apesar das graves evidências, preocupa quem clama por justiça efetiva e combate à impunidade no Brasil.