POLÍTICA

Venda de sentenças: um negócio lucrativo

Jorge Meirelles
Jorge Meirelles 08 de abril de 2026
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Venda de sentenças: um negócio lucrativo
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A justiça brasileira está à venda, e a conta somos nós quem pa…

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) tenta, a duras penas, combater a praga da venda de sentenças no Poder Judiciário. É um negócio lucrativo, com tabelas de preços e organização criminosa. Infelizmente, muitos magistrados estão mergulhados nesse esquema que corrói nossa justiça.

Após o assassinato do advogado Roberto Zampieri, em 2023, o CNJ intensificou investigações, afastando desembargadores como Sebastião Moraes Filho e João Ferreira Filho no Mato Grosso. Mas a impunidade ainda impera: a punição de corruptos muitas vezes se resume a uma polpuda aposentadoria paga com o seu dinheiro.

Bahia, com a Operação Faroeste, e Maranhão também revelaram desembargadores e juízes envolvidos em grilagem e corrupção. O mais chocante: no próprio Superior Tribunal de Justiça (STJ), a Polícia Federal (PF) encontrou códigos e tabelas de propinas, com valores de R$ 50 mil a R$ 20 milhões.

Essa estrutura criminosa operava de forma aberta, sem pudor. A empresa FLORAIS TRANSPORTES, ligada ao lobista Andreson Gonçalves, distribuía o dinheiro sujo. A PF identificou repasses milionários e a expressão “dinheiro do STJ“, evidenciando a total desfaçatez do esquema.

Zampieri recebeu R$ 6,8 milhões e transferiu R$ 7,18 milhões à FLORAIS. Mensagens revelaram “orçamento” como código para propina, com valores fixos: de R$ 50 mil para decisões menores a incríveis R$ 20 milhões para “grandes interesses”. A justiça, literalmente, tinha seu preço tabelado.

A PF concluiu que havia uma “organização criminosa” com fluxo estruturado. Servidores ligados a gabinetes, inclusive o da Ministra Nancy Andrighi, manipulavam decisões. É um atentado contra o Estado Democrático de Direito, e a falta de punição severa para os cabeças é um escárnio à sociedade.

Jorge Meirelles
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