Companheiro é como se tratam os militantes do mesmo partido político
A liturgia da República foi novamente ignorada, expondo uma relação entre poderes que choca a naç…
É inacreditável que um presidente da República trate um ministro do Supremo Tribunal Federal como “companheiro”. O presidente Lula dirigiu-se assim ao ministro Alexandre de Moraes, numa demonstração de intimidade que desrespeita profundamente o decoro institucional. Tal proximidade é inédita e levanta sérias dúvidas sobre a independência.
A situação piora ao ouvirmos o teor da conversa. Lula revelou ter dito a Moraes:
“Você construiu uma biografia histórica nesse país com o julgamento do 8 de janeiro. Não permita que esse caso do Vorcaro jogue fora sua biografia.”
Um conselho que beira a intervenção.
Chamar um ministro da mais alta corte de “companheiro” é uma afronta. Esse termo, carregado de conotação política e ideológica, é reservado a militantes partidários, não a autoridades de diferentes Poderes. A intimidade entre Lula e Moraes ultrapassa os limites do aceitável, comprometendo a seriedade do cargo.
A gravidade não está apenas na palavra, mas na ação subsequente. Lula admite ter aconselhado Moraes sobre como agir no escândalo do Banco Master. Isso mina a credibilidade do Judiciário e a independência dos poderes. Onde fica a imparcialidade quando o Executivo dá “dicas” ao Supremo?
A liturgia do cargo exige respeito e distanciamento. Essa “amizade” política entre o presidente e um ministro do STF é um mau precedente, que fragiliza as instituições democráticas. A transparência e a autonomia são essenciais, e essa conduta as coloca em risco iminente.
“Companheiro” é termo de aliança política, como José Dirceu diria “companheiro de armas” ou Fidel “companheiro de luta”. Não se aplica a um ministro do Supremo. Essa intimidade indevida não apenas choca, mas expõe uma perigosa confusão de papéis na República, exigindo nossa vigilância constante.