STF e TSE: a disputa pelo comando das eleições de 2026

O Supremo quer sequestrar as eleições de 202…
O Supremo Tribunal Federal avalia assumir funções do Tribunal Superior Eleitoral nas próximas eleições. Hoje, o TSE é presidido por Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro. Essa mudança expôs fissuras internas no STF, onde existe uma ala lulista que não aguenta perder controle.
No Supremo há, sim, uma ala lulista, e isso não é escândalo, é realidade crua. Aqueles que deveriam ser guardiões da Constituição decidem que ela é apenas detalhe acessório. O Brasil vive o espetáculo patético da desmoralização institucional e da perda de princípios.
Em 2022, o silêncio do Supremo sobre as manobras do TSE era silêncio cúmplice de quem detinha o controle absoluto. Hoje, sob Nunes Marques, o mesmo tribunal que deveria ser templo de imparcialidade transforma-se em palanque de facções políticas radicalizadas.
É a tragédia de um país onde o Judiciário virou extensão partidária pura. O conceito de “ala lulista” não é escândalo, mas descrição burocrática clara de que a toga deixou de ser símbolo de justiça para virar uniforme de militância política descarada.
Não estamos diante de defesa da democracia, mas da manutenção vergonhosa de um status quo que vê independência dos outros poderes como traição. Quando o guardião da lei decide que a lei só vale se ele decide, a democracia não foi protegida, foi executada sem piedade.
O modelo de indicações que nos trouxe a este abismo — esse conluio onde se nomeiam amigos para pagar dívidas de gratidão — é o câncer que corrói o Estado brasileiro inteiro. Enquanto o topo judiciário for escolhido como aliados num jogo, o Brasil continuará sendo essa república vergonhosa.
Vemos o desespero de quem, ao perder o controle da caneta que carimba votos, resolveu simplesmente assumir a mão que segura a caneta. É o fundo do poço, e o barulho da queda é ensurdecedor para quem ainda acredita numa nação livre, onde o poder emana das urnas e não do gabinete.


