Ambiguidade médica

A boa intenção pode acabar criando uma ar…
Ninguém discorda que médicos sofrem hostilidade em redes sociais. A questão é mais profunda: o SIMERS está propagandeando algo perigoso sem perceber as armadilhas jurídicas envolvidas.
O sindicato fala em “violência digital” como crime. Mas isso não existe no Código Penal. Tipos penais abertos demais criam espaço para interpretações subjetivas e perseguições políticas.
Existem três crimes reais em redes sociais: calúnia, difamação e injúria, já previstos no CP. Não precisa inventar “violência digital” vaga para proteger ninguém. A lei já existe.
O perigo está aqui: um juiz antipático ao acusado pode chamar crítica legítima de “violência digital”. Outro juiz discorda. Cada um julga conforme sua subjetividade, e a lei vira pretexto para perseguição.
A propaganda apela à emoção: “Imagina salvar vidas e ser desrespeitado?” É tocante, mas desativa o pensamento crítico. Causas justas não justificam remédios autoritários que matam o paciente.
O SIMERS sempre defendeu a categoria médica longe de pautas esquerdistas. Agora contribui para criar ambiente propício a um novo tipo penal antidemocrático e autoritário no Brasil.
Conclusão: boas intenções pavimentam o inferno. Médicos precisam de proteção real, não de leis vagas que servem também para silenciar crítica legítima a secretários negligentes e autoridades públicas.


