Ambiguidade médica

Jorge Meirelles
Jorge Meirelles 28 de julho de 2026
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Ambiguidade médica
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A boa intenção pode acabar criando uma ar…

Ninguém discorda que médicos sofrem hostilidade em redes sociais. A questão é mais profunda: o SIMERS está propagandeando algo perigoso sem perceber as armadilhas jurídicas envolvidas.

O sindicato fala em “violência digital” como crime. Mas isso não existe no Código Penal. Tipos penais abertos demais criam espaço para interpretações subjetivas e perseguições políticas.

Existem três crimes reais em redes sociais: calúnia, difamação e injúria, já previstos no CP. Não precisa inventar “violência digital” vaga para proteger ninguém. A lei já existe.

O perigo está aqui: um juiz antipático ao acusado pode chamar crítica legítima de “violência digital”. Outro juiz discorda. Cada um julga conforme sua subjetividade, e a lei vira pretexto para perseguição.

A propaganda apela à emoção: “Imagina salvar vidas e ser desrespeitado?” É tocante, mas desativa o pensamento crítico. Causas justas não justificam remédios autoritários que matam o paciente.

O SIMERS sempre defendeu a categoria médica longe de pautas esquerdistas. Agora contribui para criar ambiente propício a um novo tipo penal antidemocrático e autoritário no Brasil.

Conclusão: boas intenções pavimentam o inferno. Médicos precisam de proteção real, não de leis vagas que servem também para silenciar crítica legítima a secretários negligentes e autoridades públicas.

Jorge Meirelles
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