O império dos irmãos Batista, o dinheiro público e o povo sempre pagando a conta

A verdade sobre quem paga a conta está sendo escondi…
Poucos empresários brasileiros simbolizam tão bem a proximidade entre grandes negócios privados e poder público quanto os irmãos Joesley e Wesley Batista. Nascidos no setor frigorífico, transformaram-se em conglomerado presente em alimentos, celulose, mineração, bancos e energia elétrica.
Agora os Batista tentam entrar na Vale, uma das maiores mineradoras do mundo. O plano inicial envolvia entregar minas de ferro em Corumbá em troca de ações da companhia. A Vale descartou o investimento, mas a ambição permanece impressionante.
O grupo J&F controla empresas como JBS, Eldorado Brasil, Âmbar Energia, LHG Mining, PicPay e Banco Original. Nos EUA operam JBS USA, Pilgrim’s Pride e Swift Prepared Foods. Poucos empresários brasileiros possuem tamanho acesso político e diplomático hoje.
Durante os governos Lula e Dilma, a JBS tornou-se vitrine dos “campeões nacionais”. O BNDES investiu bilhões, oferecendo capital para aquisições agressivas dentro e fora do Brasil. Quem assumiu os riscos enquanto patrimônio privado crescia?
A Âmbar Energia assumiu a Amazonas Energia, distribuidora deficitária e endividada. O negócio veio com subsídios e mecanismos regulatórios especiais. Esses mecanismos não são financiados em Brasília, são pagos pelos encargos nas contas de luz dos consumidores brasileiros.
Uma empresa privada assume ativo problemático com riscos amortecidos pelo sistema elétrico nacional. O empresário fica com recuperação e valorização do negócio. O brasileiro fica exposto à conta da história toda.
O verdadeiro debate é sobre os limites da associação entre poder econômico e poder político. O Brasil já assistiu muitas vezes à privatização dos lucros e socialização dos prejuízos. Os nomes mudam, as empresas mudam, as justificativas mudam. Mas o roteiro permanece assustadoramente parecido.


