O que a Prada decidiu não ver

A Prada escolheu embaixador que comemora violen…
Na semana da Semana de Moda de Milão, a grife anunciou Marwan Abdelhamid, rapper conhecido como Saint Levant, como embaixador global para 33 milhões de seguidores.
No vídeo, Abdelhamid exibe pingente com mapa da Palestina histórica. A marca italiana não explicou a escolha. Nem precisava: a imagem comunica tudo.
Em novembro de 2024, após violência em Amsterdã, Abdelhamid agradeceu publicamente aos “irmãos marroquinos” pelas agressões contra torcedores judeus. “Obrigado por cuidar do assunto”, disse sorrindo no palco.
Se Abdelhamid celebrasse ataque a palestinos, sua carreira terminaria. Como alvo era judeu, gesto foi absorvido meses depois como “currículo de talento jovem” sem qualquer questionamento da mídia fashion.
É o mesmo antissemitismo ancestral com rótulo novo. Mudou o vocabulário: antes teológico, depois racial, agora geográfico. O judeu que insiste existir no “mapa errado” é sempre inimigo.
A Prada não contrata apenas opiniões políticas. Escolheu celebrar publicamente a que comemora violência contra judeus. Ninguém em Milão perguntou se essa era mensagem para vender casaco de 3 mil euros.
Quando marca com dezenas de milhões de seguidores trata direito judeu de caminhar à noite como negociável, transformando em capital de marca, o problema deixou de ser da Prada. É de quem assistiu e silenciou.


