Manter em liberdade a peça-chave na blindagem de Vorcaro é extremamente temerário

A PF intercepta plano de fuga do publicitá…
O publicitário Thiago Miranda não está preso, apesar da Polícia Federal interceptar plano de fuga iminente para os EUA. A retenção de passaporte parece insuficiente diante da gravidade dos fatos apurados pela investigação.
Miranda é apontado como articulador central do “Projeto DV”, esquema de blindagem do banqueiro Daniel Vorcaro. O esquema incluía monitoramento ilícito da jornalista Malu Gaspar e dados sobre o CEO do Itaú.
O STF classificou a organização com características de “grupo mafioso” e “considerável grau de periculosidade”. O ministro André Mendonça, relator do caso, aplicou apenas medida cautelar alternativa sem decretação de prisão preventiva.
A Compliance Zero avança sobre o núcleo do esquema enquanto Miranda permanece em liberdade. Manter um articulador-chave solto levanta risco real à integridade das provas ainda em coleta. “Por que essa cautela excessiva?”, questionam analistas.
A discrepância é central: operadores financeiros com trânsito internacional consolidado podem superar restrições documentais facilmente. Retenção de passaporte é obstáculo superável para quem tem recursos e contatos internacionais.
O contraste com o 8 de Janeiro é gritante. O tribunal aplicou rigor extremo em prisões preventivas em massa naquele caso. Agora trata com cautela estrutura formalmente descrita como “mafiosa” em decisão própria do próprio tribunal.
A pergunta incômoda permanece sem resposta no noticiário do Caso Master. Por que essa diferença de critério entre casos de magnitude comparável? A resposta expõe escolhas políticas questionáveis no judiciário superior.


