O que os escombros da Venezuela escondem

A terra tremeu e o Estado se mov…
Às 18h04 de 24 de junho, dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 destruíram a Venezuela. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, admitiu 1.943 mortos oficialmente, com números seguindo em alta.
Enquanto vizinhos cavavam com as próprias mãos, o obstáculo foi burocrático. O ministro Diosdado Cabello restringiu acesso a La Guaira alegando “razões sanitárias”, bloqueando moradores que já resgatavam sozinhos.
Delcy Rodríguez, presidente interina desde a captura de Nicolás Maduro, comanda o aparato que trata ajuda humanitária como ameaça. A mesma estrutura que destruiu a economia em vinte anos segue intacta agora.
A ONU pediu formalmente à Conatel restabelecimento de telecomunicações seis dias depois. A urgência do organismo mostrou-se proporcional à visibilidade da tragédia, não à gravidade do regime chavista.
Yimvert Berroterán, promessa do futebol venezolano de 18 anos, ficou soterrado com a namorada por 24 horas dando sinais. As máquinas chegaram tarde demais; ambos foram encontrados mortos abraçados no edifício Coral Plaza.
O porto de La Guaira virou necrotério a céu aberto com cadáveres em decomposição. Crematórios operam no limite: mais de 60 cremações diárias. Famílias removem corpos com as próprias mãos entre escombros sem proteção.
Nada aconteceu num país preparado. A ONU estima 1,7 milhão de edificações expostas, 83% da população já vivia na pobreza. Perdas podem chegar a 6% do PIB; o verdadeiro desastre permanece: um Estado que administra ruínas, não vidas.


