Lula fez ataques a negacionistas no dia em que enalteceu vacina que pode ter causado mortes

Quatro meses antes de o Ministério da Saúde interromper temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, o petista Lula destacou publicamente o imunizante como um avanço da ciência nacional e atacou o que classificou como resistência ideológica às campanhas de vacinação.
A manifestação ocorreu em 9 de fevereiro, durante visita ao Instituto Butantan, em São Paulo. Na ocasião, o governo Lula anunciou investimentos de R$ 1,4 bilhão na instituição e marcou o início da vacinação de profissionais da atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS) com a Butantan-DV, apresentada pelo governo como uma vacina “100% nacional”.
Durante o evento, Lula exaltou a produção científica brasileira e celebrou o desenvolvimento do imunizante contra a dengue. O petista descreveu a iniciativa como resultado da capacidade nacional de pesquisa e inovação.
Ao discursar, Lula afirmou que o mundo atravessava um período marcado por um “sectarismo negacionista” e defendeu o fortalecimento das campanhas de conscientização sobre a importância da imunização.
O presidente também ressaltou a necessidade de ampliar os esforços para recuperar a confiança da população nas vacinas.
“É difícil convencer a sociedade a voltar a tomar vacina, como havia antigamente. Nós temos que ter a obrigação de não desanimar, de fazer campanha, de falar na escola, que os professores falarem, os pastores falarem, os padres falarem, os políticos falarem, até que a gente convença as pessoas de que tomar vacina significa evitar a possibilidade de que em algum momento a natureza possa atrapalhar a vida de uma pessoa”, disse o presidente.
Nesta segunda-feira, o Ministério da Saúde anunciou a suspensão preventiva da estratégia de vacinação contra a dengue com a Butantan-DV. A decisão foi tomada após a identificação de casos graves registrados entre pessoas que receberam o imunizante.
Segundo informações divulgadas pela pasta, aproximadamente 500 mil doses já haviam sido aplicadas em todo o país. Dentro desse universo, foram notificados 42 eventos adversos severos possivelmente associados à vacinação.
Entre os registros analisados, três casos foram classificados como graves. Dois deles resultaram em mortes que seguem sob investigação das autoridades sanitárias.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que ainda não existem elementos suficientes para estabelecer uma relação direta entre a vacina e os eventos registrados. Apesar disso, explicou que os episódios foram considerados um “sinal de alerta” pelos órgãos responsáveis pelo monitoramento da segurança vacinal.
De acordo com o ministério, a suspensão temporária foi recomendada de forma consensual pelo comitê de farmacovigilância para permitir análises mais aprofundadas sobre os casos. O governo ressalta que a interrupção da vacinação não representa uma conclusão de que o imunizante tenha provocado os óbitos ou os quadros graves observados.


