POLÍTICA

Ministro missão dada é missão cumprida se declara impedido de julgar o Banco Master

Jorge Meirelles
Jorge Meirelles 07 de abril de 2026
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Ministro missão dada é missão cumprida se declara impedido de julgar o Banco Master
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A Justiça brasileira em xeque: um ministro do STJ se afasta de processos, e a teia de relações com o poder econômico começa a se desenrol…

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Benedito Gonçalves, declarou impedimento em processos envolvendo o Banco Master. A medida, registrada no sistema eletrônico, afasta-o automaticamente. É a primeira vez que um integrante do STJ se conecta a investigações do banqueiro Daniel Vorcaro, antes restritas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

A decisão de Gonçalves emerge após sua participação em um evento jurídico em Londres, abril de 2024, patrocinado pelo próprio Banco Master. Paralelamente, Daniel Vorcaro promoveu uma degustação de uísque Macallan para convidados, com custo estimado em R$ 3,3 milhões. O ministro Benedito esteve presente, levantando sérias questões sobre a ética e a imparcialidade na cúpula do Judiciário.

Indícios de proximidade entre o magistrado e o banqueiro são cada vez mais claros. O número de telefone de Benedito Gonçalves foi encontrado no celular de Daniel Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal e analisado na CPI do INSS. O contato foi salvo em 26 de abril de 2024, coincidindo com o polêmico evento em Londres, reforçando a ligação.

A declaração antecipada de impedimento de Benedito Gonçalves contrasta com a conduta de outros magistrados, que só se afastaram após evidências mais concretas. As normas do Código de Processo Penal e Código de Processo Civil preveem o impedimento por relações pessoais ou indiretas que possam comprometer a imparcialidade. Uma medida necessária, mas que expõe um problema crônico.

Este não é o primeiro episódio polêmico envolvendo Benedito Gonçalves. Em 2022, durante a diplomação de Lula, o então ministro do TSE foi flagrado dizendo a Alexandre de Moraes:

Missão dada é missão cumprida.

Um comentário que gerou enorme repercussão política, revelando a proximidade e alinhamento de certas figuras do Judiciário.

Casos como este de Benedito Gonçalves e o Banco Master acendem um alerta sobre a influência do poder econômico nos corredores da Justiça. A transparência e a fiscalização são cruciais para que a imparcialidade não seja apenas um discurso, mas uma realidade no nosso Poder Judiciário. O cidadão espera respostas claras.

Jorge Meirelles
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